segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

dia do arquiteto

escrever sobre arquitetura pode ser tão difícil quanto fazer arquitetura...tudo tem que sair perfeitamente bem, bastante compreensível, razoável e coerente.
projetar sempre foi um prazer para mim, desde de muito cedo, na vida...eu ainda era uma criança, quando comecei a desenhar "casas"; decidir pela faculdade de arquitetura, foi um caminho natural, sem aparecerem dúvidas - apesar de que meu pai, sabe-se Deus porque, achava que eu seria uma boa médica.... - mas começar a trabalhar, foi difícil; não que não houve clientes....mas projetar de fato, um espaço para pessoas, é um ato de muita responsabilidade, que requer coragem, criatividade, desenvoltura e maturidade.
será que eu tinha essas qualidades a vinte e poucos anos atrás?
vejamos....
coragem é um pré requisito para qualquer coisa que se resolva fazer, ainda mais quando essa coisa nunca foi feita antes....e, de um jeito ou de outro, muito ou pouca, boa ou ruim, pode-se dizer que eu a tive, afinal eu comecei logo a trabalhar....
criatividade é um atributo natural e inerente a quem se dispõe a ser arquiteto; ou melhor dizendo, ninguém é arquiteto se não for criativo. mas a criatividade tem suas artimanhas....ela pode estar escondida, pode ser contida, e o que eu acredito tenha acontecido comigo, pode estar livre e a disposição - meus primeiros projetos foram completamente livres de qualquer contaminação pela realidade do mundo da construção civil, como os incompreensíveis desejos dos clientes, misturados com seus problemas inacabáveis, como o drama dos engenheiros para encarar tanto um cálculo como um sistema construtivo um pouco mais diferenciados, e a loucura incompreensível e desenfreada da mão de obra, que retem o poder de decidir o que pode ou não pode ser feito.
penso que essas contaminações foram me assombrando no desenrolar dos trabalhos....
desenvoltura é uma característica que se aprende a conquistar conforme se vai realizando o trabalho. um arquiteto não pode ser travado, tem que abrir a mente e o coração para assimilar a realidade ao redor, e tem que relaxar para deixar tranparecer suas emoções sobre o que acontece....uma boa parte do trabalho é captar a essência do espaço e do cliente; é preciso ser desenvolto para lidar com isso e ainda passar segurança e tranquilidade para todo o mundo envolvido no projeto - o cliente, a família dele e os amigos também, o sofrido engenheiro e expert pedreiro e toda a mão de obra restante, do encanador ao pintor, pois todos, com certeza, sabem mais do que voce sobre o seu próprio projeto....
maturidade .... é claro que eu não a tinha, na época em que comecei....porém, creio que o mais difícil foi adquirir a humildade suficiente para reconhecer sua falta e ter consciência disso....paga-se um custo alto por essa prepotencia, voce pode perder clientes, ou nem sequer conseguir conquistá-los, pode perder a confiança da mão de obra e o respeito dos engenheiros - aí ocorre o caos total, pois voce tem a criação, mas não consegue ve-la nascer do chão....ou pelo menos não como voce imaginou.
num primeiro momento da carreira, é preciso ser um tanto ingenuo para idealizar projetos, e somente a ingenuidade pode fazer florescer a plena criatividade com um mínimo de coragem, e com desenvoltura suficiente para levar a cabo o projeto....a maturidade se firmará com o exercício da profissão, se manter os instintos alertas, se ampliar seus conhecimentos e se for humilde o necessário para ouvir as pessoas envolvidas.
ou seja, não é fácil ser arquiteto! parabéns para nós nesse dia 11 de dezembro!!!!

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